Comparativos.

December 19th, 2009

A veja fortaleza 2009/2010 escolheu os melhores da cidade, em busca de referências visitamos alguns, a intenção é descobrir o que os tornam relevantes para artistas, empresários e pessoas formadoras de opinião na capital cearense.

A lista inicial constituiu-se da melhor pizza – Vignoli, a melhor massa – Cantina di Napoli e o bom e barato – Regina Diógenes.

Vignoli eu posso concordar como a melhor pizza, realmente a massa é do estilo que me agrada, entretanto eu costumo ser minoria neste assunto. A maioria das pessoas ignora o início da pizza, que remonta mais de 6000 anos, os fenícios chamavam-na piscea, é na direção histórica que caminha a pizza Vignoli, tradicionalmente os discos de massa eram apenas farinha e água, sem óleos, fermentos ou demais condimentos, assados em fornos tradicionalmente ovalados de barro, onde os discos assavam nas paredes diretamente, entretanto a moderna e tradicional pizza italiana remonta a Nápoles do primeiro milênio. O cardápio deixa bem claro que a pizza da casa vignoli não leva óleos e fermentos, ou seja, foge do padrão esperado de pizza, talvez por isso haja um contra senso quanto a “tradição”. Dos napolitanos ficam os “recheios” e o molho de tomate caseiro que “tempera” cada disco.

A vignoli, ao desafiar a “tradição” napolitana oferece uma pizza fora da “Verace Pizza Napolitana”, e talvez por isso possa encontrar profundos críticos. Entretanto uma boa escolha de ingredientes, um molho caseiro bastante simples e bem executado garantem boas pizzas, tradicional ou não. Talvez aqueles mais fiéis napolitanos devam procurar outras casas mais italianas onde as massas são mais compactas e levam os tradicionais femento e leveduras da “Verace Pizza Napolitana”.

O Cantina di Napoli mantém-se fiel ao nome que carrega, ou fomos nós quem escolhemos pela tradição? ;)

Tradicionalmente Nápoles é a cidade refúgio da pizza, em especial a Margherita tem origens na região napolitana e é tão fundamental que uma lei regula a maneira com que deve ser confeccionada, Nápoles já foi grega, espanhola e francesa, então não é de se espantar que a cozinha seja de importância fundamental à tradição regional, ao ponto de uma das mais importantes peças folclóricas retratar Pulcinella comendo um prato de spaghetti, provavelmente o próprio spaghetti alla pulcinella, uma das especialidades regionais.

Outros pontos fortes da culinária napolitana são a parmigiana di melanzane e o clássico Ragú, ambos fizeram parte do nosso pedido, complementado por outro spaghetti com berinjelas, uma bruscheta com brie e agrião e uma visita mais contemporânea de pato ao molho de amora (ou seriam framboesas? Esqueço agora…).

Escolhas muito boas, do tradicional ao moderno, e todos muito bem executados, fica especialmente ressaltado o pato, apesar de que a pretensa complexidade do prato não se confirma em sua execução, e a grata surpresa na parmigiana a melanzane, que engana aos mais despretensiosos, as boas parmigianas exigem equilíbrio de queijos, óleos e molhos (eu confesso que nunca consegui), uma história interessante do nome, a parmigiana não é referente à região de parma como podem pensar, mas ao termo parmiciana, que eram as tábuas superpostas que formavam tampões de madeira, cuja superposição da madeira lembra a maneira com que se dispunham os ingredientes do prato.

Finalmente as nossas visitas nos levaram ao Regina Diógenes, em seu novo endereço no Cocó, para um bom e barato realmente não tenho do que reclamar, boa oferta de saladas e sobremesas, mas poucas opções de pratos quentes principais muito me agrada o fato das porções serem relativamente comedidas, odeio a ideia de pratos preparados aos montes e mantidos quentes naqueles vapores de água suja o dia inteiro, gosto de ao menos ser enganado a pensar que a comida está na panela e é reposta o tempo inteiro nos malditos “rechauds”.

A comida é o que se pode esperar pelo preço, agradável, realmente bom, para um dia a dia é realmente uma das melhores opções da cidade, em termos gourmands talvez falte algum detalhe, o limone chega mais perto da inventividade culinarista. Enfim, merece o bom e barato da cidade com algum louvor.

Delices de france

December 15th, 2009

Em complemento ao senhor Roberto.

O ambiente é bastante desconfortável, o atendimento é impessoal, mas até combina com o lugar. O quadro negro explicado item a item ajuda e é melhora bastante o sentimento total de bom atendimento.

Da comida, a Cioba é o prato a se considerar, a tilápia não é uma má opção… O carneiro é bastante interessante e a carne de sol predomina pelos acompanhamentos mais atrativos. No fim, é uma cozinha boa, vale a pena conhecer, pelo custo benefício é uma ótima opção, mas pelo total da casa não figura dentre os melhores…

Não me entendam mal, eu voltaria a casa, certamente voltarei, mas não com a expectativa de encontrar o melhor da culinária de Fortaleza, diria digna, até com momentos de grandiosidade, mas nada extraordinário. Sobressaem os preços excelentes e a qualidade dos ingredientes, realmente bastante caprichados, provenientes da fazenda do proprietário, contribuem para a percepção geral positiva.

A comida em si não pretende ser “moderna”  cozinha francesa, é comida mais simples, porém com aquele jeito francês de cozinhar. Talvez eu seja o problema, a cozinha francesa nunca foi nem nunca será meu ponto forte, e a culinária francesa mais rústica talvez fique um pouco fora da minha zona de conforto… Enfim, recomendo que visitem, provem e concluam por conta própria.

Jean-Baptiste?! Jean alguma coisa…

December 10th, 2009

Essa visita light foi inicialmente programada para ser no Marcel, mas descobrimos que o mesmo não tem pratos executivos, então o promovemos para visita premium (temos essas coisas, somos chiques) e escolhemos o Delices de France para o almoço da vez.

O restaurante fica praticamente do lado do Shopping Avenida e por fora é até simpático com direito a um quadro negro com o menu do dia, idéia interessante pra ajudar o cliente a já saber se interessa a ele ou não. Quando se adentra nota-se mais simplicidade do que simpatia: mesas de lanchonete, cadeiras pouco confortáveis, balcão de frios estilo padaria, sem decoração. Mas como me pareceu, é um restaurante pra almoço do dia a dia, com preços interessantes pro tipo de comida que serve.

O “pacote” do almoço dá direito a uma variedade de escolhas, dividas em: entrada, salada, prato principal e sobremesa.

No dia que fomos, a entrada era uma salada de arraia com maça verde e torradas. Para ser sincero, nunca tinha comido arraia que não fosse como moqueca e gostei bastante, o tempero lembrava levemente um vinagrete, a maçã deu um contraste no sabor, pena que as torradas estavam com muita manteiga e o sabor delas acabou prevalecendo no final.

Passada a entrada, fomos pra salada: crocante ou de salmão defumado?! Fui na segunda e foi bem acertado. A porção é pequena, mas justa, arrumação interessante, alface estava fresco, já os croutons nem tanto, mas o molho estava na medida certa e o salmão defumado, que normalmente não gosto, estava bem mais suave que os outros que tinha provado, gostei bastante.

Já o prato principal tem seis opções, sendo:

Tilápia com manteiga isette, alcaparras e purê de legumes

Sioba com caramelo de tomate e batata fourchette

Peixe a delícia com arroz branco

Curry de carneiro com arroz madrass

Carne de sol com banana e pure de batata doce

Frango com molho de champignon e batata foundante

Escolhi o Curry de carneiro e não me arrependi, (e depois provando os outros pratos, qualquer uma das outras escolhas da mesa teriam sido acertadas também, todas bem saborosas e bem preparadas) a carne estava muuito bem cozida, dava para desfiar no garfo e o curry estava na medida, levemente apimentado e bem temperado. O tal do arroz madrass não tem nada demais, é só um arroz branco temperado com passas e milho.

Já as sobremesas foram três opções: Illes flotante, profiterole ou carpaccio de abacaxi, fiquei com o último porque ninguém o tinha escolhido e por ter tido o prato mais pesado da mesa, ia ajudar a fazer a digestão. A sobremesa é simples, rodelas muito finas de abacaxi, cobertas com raspas de limão. Simples e delicioso!

Resumo da ópera: Bela opção para almoçar, local não tão renquintado como o Piaf, mas com qualidade de comida parecida, todos os prato bem preparados e relativamente bem apresentados, além da simpatia (no seu jeito francês) do dono. Sugerido pra quem quer fugir dos self-services que tem pela área.

Custos: O almoço executivo, incluindo uma opção de entrada, salada, prato principal e sobremesa, custa R$18,90. Ótimo custo-benefício

Outras fotos da visita, podem encontrar aqui.

PS: O proprietário explica para os clientes, por meio de outro quadro negro, como funciona o almoço, os pratos que o compõe e o que são os pratos. Bem interessante.

PS2: Nada a comentar do banheiro, segue o esquema de simplicidade da decoração, mas é limpo. Nota banheiral: 5

Novidades.

November 22nd, 2009

Saiu a lista da Veja Fortaleza e para comparar, está em estágio de estudos a semana da verdade, dos dias 13-19 de Dezembro vamos visitar alguns dos ganhadores deste ano.

Pra quem não lembra, a agenda do tour tem as datas.

O twitter mantém você em dia.

O mapa referenda uma lista rápida de alguns pontos para conhecer.

A presença de todos é bem vinda! Em breve novos comentários dos gourmands!

Faustino

November 16th, 2009

Não me impressionou.

Dito isto. O filé me parecia diferente no cardápio, esperava um algo a mais pelo elenco de ingredientes, entretanto a superposição de alguns sabores destruiu a complexidade que podia haver, simplesmente, onde foi parar a geléia de framboesa? O molho rosti apagou tudo! Ao fim não passava de um lindo pedaço de filé, feito estritamente ao ponto perfeito, coberto com um molho rosti que qualquer criança saberia fazer… Faltou um pouco de ousadia para um restaurante tão conceituado…

O delpine não é complexo, mas feito com capricho, talvez o arroz pudesse ser um pouco mais zelosamente cuidado para não interferir ainda mais na estabilidade dos pratos, depois de umas garfadas do arroz e seu sabor já ficava exagerado… Já tinham me dito que eram pesados os sabores, certamente este estilo agrada a muitas pessoas, mas não me convenceu.

Quanto ao carneiro, minhas esperanças estavam realmente na culinária com toques de nordeste, e realmente o carneiro mereceu. Assado num ponto perfeito também, coberto com redução do próprio assado, acompanhava um molho de hortelã, realmente muito bem feito. A única decepção é por critério totalmente oposto ao do filé, a receita é tão simples que realmente não deixava muito mais o que fazer errado…

A decepção, então, restringe-se à expectativas um pouco altas demais talvez, fosse um restaurante regional com toques contemporâneos qualquer, teria sido bastante elogiável… Mas para o melhor do nordeste? Merecia algo a mais, aqui mesmo na cidade existem lugares de cozinha mais interessante.

No geral, atendimento perfeito, ambiente muito bom, nada a reclamar, em especial se considerar como comparativo a antiga casa simples e antiga onde funcionava o restaurante.

Minha decepção origina-se exclusivamente das expectativas projetadas para o melhor do nordesde segundo o guia quatro rodas, portanto não se acanhem em visitar a casa, até recomendo, só não esperem muito, essa é minha recomendação.

Afim de comparações: Carneiro do “A Porteira” é melhor. E a torre de filé com cogumelos do “Murano” também desbanca o Faustino… A título provocativo, acho que as lagostas do Faustino são insuperáveis, fica na próxima ida para descobrir, por enquanto lagosta foi no “Vojnilo”.