Archive for November, 2008

Cabaña del primo

Friday, November 14th, 2008

Esperava que o Ramires comentasse antes, mas vamos ao que interessa.

Pratos da noite:

Entrada: Costelinha suína, acompanhada de molho de hortelã.

Pratos: Asado de Vacio (Corte da nossa fraldinha)

Bife de Chorizo (Miolo do contrafilé)

Acompanhamento: Batata com shimeji

Para beber ficamos na neutralidade da água, até para um melhor palato, embora eu tenha de recomendar as cervejas que ficam no “ofurô” cheio de gelo da entrada!

Considerações preliminares:

Tenho de dizer que o atendimento é bom, no mesmo nível das outras casas do grupo (mesmo dono da famosa pizzaria Geppo’s), atencioso, mas com ressalvas. É de toda forma um dos melhores atendimentos da cidade. Simpático e prestativo.

A casa é decorada zelosamente, até mesmo porque é assinado por um importante arquiteto brasileiro, autor de muitos requintos gastronômicos importantes do país. Muita madeira, iluminação diminuta, mas nada escuro demais, clima superbo (tem manta pra quem sente frio ¬¬).

E a comida?

Admito que fiquei interessado na magnífica churrasqueira, e nos quitutes que ali chamuscavam na autenticidade de uma parrilla assinada por um Uruguaio (que não estava lá…), agora as maravilhas visuais não seguiram à mesa. É muito simples uma parrilla, o conceito inteiro está na escolha da carne, enquanto as carnes uruguaias e argentinas vivem num ritmo de confinamento, são mais gordas, e portanto carregam um sabor mais acentuado, ao passo que o pasto brasileiro é quase inteiramente livre, nossas carnes são mais magras, e por isso mesmo menos aptas a alguns estilos de churrasco (a parrilla sendo um deles). O único grande segredo do chef é o ponto da carne e do sal, que na parrilla são um segredo e tanto! Outros detalhes como maturação, temperatura da peça ao entrar no forno, temperatura da brasa, quantidade de fumaça etc, tudo isso é importante, mas de nada adianta se o ponto não for bem definido e a peça de carne não for A MELHOR possível.

Dito isso, posso dizer que a carne É a melhor possível, marmoreio médio (nada que vá entupir os corações nossos corações só de pensar), e a churrasqueira eu já comentei… Um deleite ao apreciador. Então só posso culpar o churrasqueiro pela minha carne, o asado de vacio, pedido mal passado chegou ao ponto, até aí nada de muito preocupante, afinal é uma peça relativamente fina, e de difícil preparo… Entretanto a mão de sal e o chamusqueado da brasa ficaram a desejar, sinto dizer. Mas isso não implica que a casa seja ruim! De forma alguma, implica apenas que talvez o chef churrasqueiro do momento não tivesse experiência, como disse, não vi nenhum uruguaio por lá… talvez ele estivesse na cozinha (que é recheada de pratos interessantes, devo dizer).

Um comentário rápido do acompanhamento, é um tipo de batata muito comum na culinária européia, com um toque asiático pelos shimejis, eu já fiz papilotes de shimeji com rodelas de batata, então tinha uma idéia do que esperar, fui surpreendido pelo queijo cremoso que acompanhava, sinceramente esperava uma manteiga de ervas, mas acabou sendo um acompanhamento digno.

Outro comentário quanto ao prato do Ramires, e esse é rápido mesmo, deixarei que ele comente depois com mais cuidado, digo apenas que o bife de chorizo do Murano é muito melhor. Novamente, talvez nem seja todo dia, mas no dia específico era! Pela qualidade do lugar eu devo admitir que tenha sido por azar, mas o meu sentimento é esse, e não posso fazer nada a respeito, até que eu vá novamente e seja surpreendido, essas foram minhas impressões.

PS.: As costelinhas suínas são excelentes, ficamos eu e o Ramires com a impressão de estarem temperadas com um desses temperos prontos de supermercado, mas… Eu até gosto deles (matem-me se quiserem).