Será necessário?

Estivemos (em parte) no Alemão de Guaramiranga, aproveitamos uma das nossa viagens para pousar no restaurante Hofbrahaus, localizado na praça do teatro de Guaramiranga, como de praxe para tomar algumas canecas do excelente Chopp Lupus Bier, de fabricação caseira.

Aproveito o ensejo para comentar um pouco de chopp, a boa cerveja (de maneira geral os chopps também) precisam ser sevidos com uma boa dose de espuma ou colarinho, usualmente pressuriza-se o chopp com gás carbônico (CO²), que além de prover uma queda na temperatura, forma o tão desejado colarinho, algumas cervejas mais espessas (escuras principalmente) usam uma mistura de (NO²e Co²) como catalisador de uma microtextura espumosa, algo próximo das espumas culinárias “amanteigadas”, não há uma temperatura ideal para a cerveja, mas algumas recomendações, que variam de gosto a gosto. Temperaturas mais frias são recomendadas para cervejas leves, como as pale lagers que serão saboreadas por sua sobriedade; enquanto temperaturas mais altas permitem que se percebam os sabores mais profundos das cervajas como aa stouts.

Um importante conhecedor de bebidas (Michael Jackson) propôs uma referência de 5 escalas que determina algumas temperaturas recomendadas:  Bem geladas (7 °C/45 °F) para cervejas leves (pale lagers), geladas (8 °C/47 °F) para Berliner Weisse e outras cervejas de trigo, moderadamente geladas (9 °C/48 °F) para todas as escuras, altbier e cervejas alemãs de trigo, temperatura de adega (13 °C/55 °F) para a ale britânica comum, stout e a maioria das Belgas e finalmente temperatura ambiente (15.5 °C/60 °F) cervejas escuras fortes (trappist beer) e barley wine.

Uma lição que deveria ser aprendida para quem se diz “bom bebedor”, apesar que o brasileiro acostumou-se com as cervejas muito suaves fabricadas por aqui, que quando estupidamente geladas mal produzem algum critério palativo. Mas, cervejas reconhecidamente brasileiras por sua excelência talvez sejam apreciadas ao máximo contento nas condições descritas acima, já para quem ainda não conseguiu perder o costume da “geladíssssssssima” então fica muito difícil entreter-se com os sabores da grandes cervejas.

Ah, logo desde já aviso que tentar tomar uma cerveja de qualidade duvidosa nos critérios propostos aqui é meio caminho andado à frustração, beber o néctar cuja receita já foi uma prece divina a deusa Ninkasi conhecido como ”O hino à Ninkasi”, merece respeito da tradição de 6mil anos que acompanha a bebida, e apenas as melhores e mais cultuadas cervejarias (especialmente as micro-cervejarias) é que produzem realmente a bebida aprazível e cultuada tanto como os vinhos e whiskys.

Mas bem, de volta ao Hofbrahaus, continua sendo uma casa medíocre, mas cuja mediocridade sobresai-se no total descaso e falta de possibilidades da serra cearense… O salsichão é bom, sim é, mas deixa muito a desejar em termos de novas descobertas, é algo bastante simples e sem originalidade (até mesmo por ser um clássico, pouco é o espaço para inventar), mas falta um zelo maior com o sabor, parece industrializado (embora não acredite que seja) e por isso mesmo frustrante…

Fica a ressalva para a boa mostarda com mel e a excelente salada de batata, azeda no ponto certo… Podia estar nessa combinação o segredo para a primazia da casa, mas acabam ficando no medíocre de forma geral…

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