Relembrando o primeiro…

Restaurante: Grand Cru

Chef: Natalie Pinheiro

Culinária: Contemporânea

Pequeno bistrô, organizado e agradável, dotado de um atendimento atencioso e uma cozinha invejável, cuja adaptação à realidade cearense (em boa parte) com um pé na alta gastronomia é salutável, as nuances francesas vicejam dos pratos, sem aderir ao exagero de outros “contemporâneos”.

Quem chega à casa sob influência da crítica tendenciosa e superficial da mídia cearense talvez se assuste, não é um local de decoração opressiva, iluminação intimista e atendimento exagerado, passa mais por um bistrô clássico, o que na minha modesta opinião isso contribuí bastante para minha avaliação da casa.

O diferencial tem início no atendimento ao ser oferecido água mineral (com ou sem gás), isso deveria ser uma exigência nos bons restaurantes, a água limpa o paladar e prepara o glutão para iniciar sua jornada gastronômica, ainda mais efetivos neste papel são os sorbets. A contínua atenção disposta pelos garçons é bastante interessante, raramente um atendimento tão prestativo é notado nas casas cearenses.

E o que interessa:

Pedi um camarão Bordeux: Camarões ‘passados’ na manteiga, recheados com damascos e acompanhados por risoto de parmesão sobre abacaxi gratinado. Primeiro fator a admirar, os camarões estavam no ponto, um cuidado simples que mais restaurantes deviam ter.

O risoto estava a contento, apenas o abacaxi é que podia ser menor, haja visto que lá pela metade da refeição tudo ficava um pouco enjoativo demais, talvez pela combinação adocicada (que me desagrada um pouco, quando em excesso, por uma questão pessoal) dos damascos com abacaxi, talvez porque eu tenha me detido muito antes de começar a comer, deixando tudo frio, o que realmente interferiu muito com este prato.

Valeria a pena analisar item a item da composição, entretanto guardo estes pensamentos mais técnicos para outras oportunidades.

De entrada, pedimos uma salada com camarões, muito boa, exceto por um defeito que acontece em praticamente TODOS os restaurantes, as folhas depois de lavadas precisam ser secas para poder receber os molhos! É uma questão básica de culinária, e muito ignorada, infelizmente. Ainda contribui um pouco a relativa simplicidade, não há nada o que inventar no preparo desta salada, e muito pouco com o que errar, escolhidos bem os ingredientes, está a meio caminho da qualidade.

Sobremesa, nada a declarar, não sou fan de doces, preferimos um conhaque, o efeito do conhaque como agente estimulante da digestão é interessante, especialmente quando a comida “pesa” no estômago.

Pela boa qualidade dos produtos e pelo bom atendimento, acredito que se nivele às melhores casas da cidade, o destaque fica mesmo pelo atendimento e pelo camarão bordeux, agradeço, ainda, a atenção deferida pela proprietária ao nos agraciar com uma pequena conversa descontraída, foi uma gentileza bastante agradável e instrutiva, ao comentar as referências gastronômicas e as características administrativas que movem o restaurante contribuindo para que eu acredite na qualidade e empenho deferidos à excelência na casa.

Deixo os comentários dos demais pratos por conta dos demais colegas, farei os comentários de tudo mais em cada post, ou em alguma outra oportunidade.

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3 Responses to “Relembrando o primeiro…”

  1. Sara says:

    Kenji, o texto está muito bom. Dá realmente pra perceber que você entende sobre o que está falando. Aliás, já tinha percebido isso provando os seus pratos, mas elogio nunca é demais.
    Parabéns pelo trabalho de vocês!

    P.S.: sobre enxugar as folhas na salada, vou “esfregar” este post na cara de umas amigas minhas que me chamavam de fresca quando eu exugava as folhas de alface… hehehe.

  2. iwannara says:

    Queridos, adoreio o site!! Fiquei até com vontade de me juntar ao grupo e fazer essas visitas gastronômicas, mas ao lado de vocês sou muito leiga kkkk só sei comer mesmo! Mas acho isso muito legal!!!

    Beijos

  3. [...] escolha do Grand Cru foi uma “surpresa” arquitetada pelo Japonês. Até a hora que entramos no lugar não sabia do que se tratava e devo confessar: não tive vontade [...]

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